“A vida floresce com o feedback e morre sem ele”, por Margaret Wheatley*
Muitas organizações perderam o caminho para a qualidade porque se sobrecarregaram com medidas sem fim. Em vez de se especializarem em seu trabalho, muitos funcionários se especializaram no “jogo dos números” para satisfazer os patrões... Mas a medição é fundamental. Ela proporciona uma coisa essencial ao crescimento: feedback. A vida floresce com o feedback e morre sem ele. Precisamos saber o que acontece à nossa volta, o impacto que nossas ações têm sobre os outros, as mudanças que ocorrem no ambiente e em nós mesmos. É o acesso a esse tipo de informação que permite a adaptação e o crescimento. Sem o feedback, nós nos recolhemos à rotina e criamos uma casca dura que não deixa a novidade entrar. Assim, não sobrevivemos por muito tempo.

Em qualquer sistema vivo, o feedback difere de maneira significativa da medição:
- O feedback é autogerado. O indivíduo e o sistema percebem o que consideram importante e ignoram qualquer outra coisa.
- O feedback depende do contexto. A informação decisiva está sendo gerada neste momento. Deixar de perceber o”agora”, ou ater-se a suposições passadas, é muito perigoso.
- O feedback se modifica. Aquilo que um indivíduo ou um sistema opta por perceber vai se modificar dependendo do passado, do presente e do futuro. Buscar informação apenas dentro de categorias rígidas leva à cegueira, que é muito perigosa...
- O feedback dá apoio à vida. Ele fornece informações essenciais sobre a preservação da nossa existência. Além disso, indica quando a adaptação e o crescimento são necessários.
- O feedback favorece a adaptação. Por meio da troca constante de informações, o indivíduo e seu ambiente co-evoluem em direção à sustentabilidade mútua.
Entender o papel decisivo desempenhado pelo feedback nos sistemas vivos e contemplar essas distinções nos permite desenvolver processos de medição que favoreçam os comportamentos e capacidades de que precisamos, além de promover a vitalidade e a adaptabilidade da organização.
* Margaret Wheatley escreve, dá aulas e fala sobre práticas e idéias organizacionais radicalmente novas em tempos caóticos. É consultora e pesquisadora organizacional desde 1973, professora de administração em dois cursos de graduação e presidente do The Berkana institute, uma fundação beneficente global voltada para a liderança. Fez doutorado na Harvard University e mestrado em pensamento sistêmico na News York University. É autora do livro “Liderança para Tempos de Incerteza”, de onde extraímos o trecho aqui publicado, bem como de outros três livros publicados pela Editora Cultrix: o best-seller mundial “Liderança e a Nova Ciência”, “Conversando a Gente se Entende” e “Um Caminho Mais Simples” (em co-autoria com Myron Rogers)



